quarta-feira, 23 de junho de 2010
Tormento
Tormento.
O vento agredia meus olhos naquela madrugada cinzenta, por pouco não me desviei a atenção, continuei a desbravar aquela nova terra até então inexplorada, me perdi por diversas vezes, enfrentei tempestades de areia, cruzei rios e sem nenhuma ajuda atravessei o mar, quando não havia mais caminho a seguir, aquele mesmo mar até então calmo me engoliu ferozmente e me fez acolher toda a sua angustia, já recuperado, por diversas vezes tentei retornar, mas até agora a maré não baixou, vejo luzes e sombras na areia, onde sento encharcado esperando o alvorecer, enquanto isso, contento-me com as conchas e corais que me são ofertados.
A noite parecia eterna naquele lugar, já havia mais estrelas no céu, lembrava-me dos rios, das montanhas, de tudo que havia além de todo aquele infinito azul, cogitei a possibilidade de nunca mais voltar, de tudo aquilo ser apenas uma feliz lembrança de um passado glorioso, vejo aquilo tudo como um sonho agonizante ou mais um delírio de febre.
As luzes no horizonte aos poucos foram surgindo. tentei mais uma vez por meus pés no mar, dessa vez fui aceito, aos poucos meu corpo flutuava, até que senti a areia novamente, estava eu mais uma vez naquele lugar, finalmente havia chegado o tão sonhado dia do meu retorno, quando olhei ao redor, estava tudo exatamente igual, me deitava à sombra dos coqueiros, corria sobre as pedras, desfrutava daquele lugar que era meu, até que dormi mais uma vez sobre a areia, e ao acordar estava como um milagre, flutuando novamente, chegando novamente àquele lugar, foi assim durante muitos dias, até que percebi que estava vivendo apenas minhas lembranças, e cometi meu último erro em vida. Acordei.
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